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Campeã do Carnaval de São Paulo tem três fundadores e dois ex-presidentes campistas – Por Matheus Berriel

Nome da escola de samba Mocidade Alegre foi inspirado em bloco de Campos criado nos anos 1930

por Marcelo Sampaio 20 de fevereiro de 2026
20 de fevereiro de 2026
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A cidade de Campos dos Goytacazes possui estreita relação com a Mocidade Alegre, campeã do Grupo Especial no Carnaval de São Paulo. Três dos fundadores da escola de samba são naturais da planície goitacá. Dois deles, inclusive, foram presidentes da agremiação, que venceu três das últimas quatro edições dos desfiles paulistas. Outro fator do vínculo é o nome Mocidade Alegre, inspirado em um bloco fundado em Campos na década de 1930.

O surgimento do que mais tarde seria a Mocidade Alegre remete ao Carnaval de 1950, quando um grupo de amigos decidiu curtir a folia com roupas femininas. Entre eles estavam os irmãos Juarez e Salvador da Cruz, campistas que haviam se mudado para São Paulo dois anos antes. A brincadeira se repetiu nos carnavais seguintes, ganhando novos adeptos, como um irmão de Juarez e Salvador, o também campista Carlos Augusto da Cruz.

Em 1958, aquele grupo de amigos chegou a ser batizado como Bloco das Primeiras Mariposas Recuperadas do Bom Retiro, numa alusão ao bairro paulistano onde moravam os integrantes. Porém, o nome definitivo seria dado em 1963, após um desfile em que os foliões usaram fantasias de palhaços. Era uma época em que a Rádio América promovia o Carnaval de Rua da Avenida São João, e o locutor Evaristo de Carvalho definiu aquele grupo como “muito alegre”. Por decisão dos membros, esse adjetivo deu origem ao novo nome do bloco: Mocidade Alegre.

Quando foi criada a Federação das Escolas de Samba de São Paulo, em 1967, o bloco ganhou estatuto e teve a sua oficialização como escola. Juarez da Cruz tornou-se o primeiro presidente, e seus irmãos Salvador e Carlos Augusto também participaram da fundação. Juarez manteve-se na presidência até 1992, tendo Salvador como um dos diretores. Carlos Augusto, por sua vez, foi presidente de 1992 a 1998. Mais tarde, os cargo seria ocupado por duas filhas de Carlos, Elaine e Solange Cruz, sendo Solange a atual presidente. A conquista da última terça-feira (19) foi a 13ª da Mocidade Alegre, ficando a apenas duas da Vai-Vai, maior campeã na Terra da Garoa.

No boca-a-boca popular, tornou-se conhecida a história de que o substantivo Mocidade foi escolhido pelos membros da Mocidade Alegre em alusão à escola de samba Mocidade Louca, de Campos. Porém, a partir de pesquisas em livros e jornais da época, o jornalista Matheus Berriel chegou à conclusão de que a homenagem remete a outra entidade carnavalesca campista, já extinta. O esclarecimento a respeito do tema consta no trabalho de conclusão de curso “Meninos do Morrinho: Um flash da televisão sobre o sucesso da cultura popular”, de 2018, em que Berriel e o também jornalista Jadir de Oliveira esmiuçaram momentos importantes do passado do Carnaval campista.

Na década de 1930, retornando a Campos após ter morado no Rio de Janeiro, o compositor Jorge da Paz Almeida atuou no São Cristóvão, time de futebol amador sediado no Parque Rosário. Com o intuito de animar as viagens da equipe a localidades do interior, ele e os companheiros criaram uma bateria, que recebeu o mesmo nome de um bloco do bairro carioca de São Cristóvão: Mocidade Louca. Esse grupo de jogadores e músicos amadores também participou do Carnaval local, se apresentando em batalhas de confetes na Avenida Pelinca e na Rua José do Patrocínio. Posteriormente, se dissolveu.

Também no Parque Rosário, mais precisamente na comunidade do Morrinho, foi criada em 1952 a Academia de Ritmos Mocidade Louca. Tratava-se de outro bloco de embalo, elevado à categoria de escola de samba em 1959, mesmo ano em que conquistou o primeiro dos seus 16 títulos no Grupo Especial de Campos. O próprio Jorge da Paz Almeida, membro do bloco dos anos 1930, foi diretor da nova Mocidade Louca, que se mantém ativa até os dias atuais. Quando a atual Mocidade Louca surgiu, portanto, os irmãos Cruz já moravam em São Paulo havia quatro anos, tendo na memória apenas os velhos carnavais da Mocidade Louca que animou as viagens do São Cristóvão campista e as batalhas de confetes da Pelinca.

Foto: Felipe Araújo/Liga-SP

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