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NOTÍCIAS

Portela

por Marcelo Sampaio 5 de março de 2025

A portela fez uma homenageou justissimamente o Milton Nascimento, grande nome da música popular brasileira, com o enredo “Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol – Uma homenagem a Milton Nascimento” dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga.

Apesar de ter realizado um desfile volumoso mostrou alas e carros com fantasias e alegorias irregulares o que atrapalhou o seu conjunto visual.

A tradicional azul-e-branco de Madureira teve como ponto alto o samba que funcionou na avenida como uma verdadeira procissão!

Comentário da Eliane Gentile:

“A Portela usou de sua grandeza e pisou na avenida com uma paleta de cores que aludem à realeza e majestade, homenageando o ‘mais mineiro de todos os cariocas’ com o enredo ‘Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol – Uma homenagem a Milton Nascimento’. É oportuno evidenciar que em seus 102 anos, pela primeira vez a referida agremiação homenageou uma personalidade em vida e buscou realizar uma procissão que, simbolicamente, saiu de Oswaldo Cruz e Madureira com destino ao interior de Minas Gerais. A concepção estética da cor amarelo ouro fez referência ao sol que aquece a vida, tal qual a música de Bituca que aquece a alma e toca os corações, mexendo com o sensorial. Com garbo e sapiência a agremiação azul-e-branco de Oswaldo Cruz e Madureira apostou na emoção, não se preocupando em evidenciar a biografia do artista, mas em ostentar um tributo a Milton Nascimento ao transmitir seu gigantismo através da música que atravessa a vida das pessoas e toca-lhes o coração”.

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5 de março de 2025 0 comentários

Acadêmicos do Grande Rio

por Marcelo Sampaio 5 de março de 2025

A Acadêmicos do Grande Rio desenvolveu o enredo “Pororocas parawaras – As águas dos meus encantos nas contas dos carimbós” dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

Foi um desfile com fantasias e alegorias irretocáveis além de uma evolução que contagiou todo o público presente na Avenida Marquês de Sapucaí.

A verde-vermelho-e-branco de Duque de Caxias manteve o brilho mostrado nos últimos anos e com certeza está forte na briga pelo título do Grupo Especial!

Comentário da Eliane Gentile:

“O esplendor marcou o desfile da Escola Acadêmicos do Grande Rio, que resolveu fazer um mergulho nas águas e mistérios da cultura do Pará, conferindo imponência e originalidade ao enredo ‘Pororocas parawaras – As águas dos meus encantos nas contas dos curimbós’. A partir da chegada de três princesas turcas à Amazônia, consagrou-se o encantamento no meio das águas e a transformação das ditas cujas em caboclas, tornando-se protagonistas do Tambor de Mina que é uma religião afrobrasileira e predominantemente matriarcal. A Grande Rio homenageou o Pará e exaltou sua pluralidade cultural evidenciada nos festejos, culinária, ritmos musicais e manifestações religiosas e, simbolicamente, a partir de ondas gigantes como pororocas, transmitiu muita encantaria ao longo da avenida e deu um banho de luxo e criatividade através de uma concepção estética e visual luxuosa e de muito bom gosto”!

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5 de março de 2025 0 comentários

Paraíso do Tuiuti

por Marcelo Sampaio 5 de março de 2025

O carnavalesco Jack Vasconcelos foi ousado ao escolher como enredo “Quem tem medo de Xica Manicongo?” em homenagem à primeira travesti do Brasil.

Tratou-se de um desfile no qual se destacaram o puxador Pixulé com sua potência vocal e a vigorosa bateria comandada pelo mestre Marcão.

A azul-e-amarelo do morro homônimo, situado no bairro de São Cristóvão, ficou devendo uma apresentação com melhores evolução e harmonia!

Comentário da Eliane Gentile:

“Com o enredo ‘Quem tem medo de Xica Manicongo?’ a Escola Paraíso do Tuiuti consagrou um manifesto de força e resistência, reivindicando a liberdade de existir em consonância com o resgate da memória da negra Xica Manicongo, primeira mulher trans do Brasil que foi trazida da África e escravizada. A agremiação levou para a Sapucaí a proposta de exaltação à grande feiticeira que teve sua identidade apagada pelo ‘cis-tema’ colonizador, mas que se reinventou encontrando força nas manifestações religiosas através dos mistérios do Catimbó que aprendeu com os indígenas brasileiros. Com muita potência a escola trouxe vinte e oito representantes transexuais para a avenida, comunicando a linguagem da representatividade, orgulho identitário e diversidade como mensagens que reivindicam tolerância, respeito e direito de existir e ser quem se é, assumindo assim o compromisso de lutar contra a transfobia”.

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5 de março de 2025 0 comentários

Mocidade Independente de Padre Miguel

por Marcelo Sampaio 5 de março de 2025

O carnavalesco Renato Lage com o enredo “Voltando para o futuro, não há limites pra sonhar”, criado em parceria com a sua recém falecida mulher Márcia Lage, recriou a Mocidade Independente de Padre Miguel.

Foi um desfile com aquela sofisticação estética, marca característica dos seus trabalhos, no qual destacou-se uma contundente crítica à desumanização do mundo.

A verde-e-branco da Zona Oeste carioca fez jus ao refrão do seu samba “O céu vai clarear, Iluminar a Zona Oeste da cidade, E Deus vai desfilar, Pra ver o mago recriar a Mocidade”!

Comentário da Eliane Gentile:

“A Mocidade Independente de Padre Miguel pisou na Avenida Marquês de Sapucaí contestando as fronteiras da inovação tecnológica com o enredo ‘Voltando para o futuro, não há limites pra sonhar’. Com exuberância estética e alegorias futuristas a escola fez um alerta quanto à necessidade de o  Homem repensar a relação com as tecnologias e buscar o ponto de equilíbrio para evitar os excessos e não se deixar dominar pelo mundo digital, desconectando-se do real e das relações intra e interpessoal. Um ponto alto do cortejo foi a crítica presente nas alegorias, trazendo a presença do Pierrot, tradicional figura do Carnaval, acompanhado de astronautas que aludem ao cosmofuturismo fazendo uma correlação com o verso do samba-enredo que questiona o Carnaval do amanhã: ‘O homem com sua ambição desconhece a razão, desatina a ciência, será que há de ter Carnaval sem minha cadência?’. Ainda problematizou a ação humana de degradação da natureza, sugerindo uma reflexão acerca das consequências sócio ambientais no futuro próximo, através de outro verso: ‘O verde adoecido da esperança ofega sobre o leito da cobiça’. Com primor e compromisso social a agremiação conclamou a Humanidade a um exame de consciência para reinvenção do presente com vistas no futuro para uma ética biofílica, isto é, de amor à vida como um todo”.

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5 de março de 2025 0 comentários

Unidos de Vila Isabel

por Marcelo Sampaio 4 de março de 2025

A Unidos de Vila Isabel fez um desfile extremamente brincante com o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece” do carnavalesco Paulo Barros.

Foi uma apresentação na qual se destacaram maquiagens de altíssimo nível e grande impacto visual em todos os componentes da escola, principalmente a dos ritmistas.

A azul-e-branco do bairro de Noel Rosa também mostrou alegorias humanas com movimentos que surpreenderam e encantaram bastante!

Comentário da Eliane Gentile:

“A metáfora do trem fantasma se confundiu com a vida que é semelhante ao trem que sai da estação e segue jornada por caminhos que ora assustam, ora alegram. Foi com o antagonismo da alegria e do medo que seres fantásticos saíram das lendas, estórias e folclore brasileiro e invadiram a Sapucaí com o enredo ‘Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece’. A comunicação estética das maquiagens, fantasias e carros alegóricos surpreendeu brilhantemente e destacou a originalidade como marca principal do carnavalesco Paulo Barros que, intencionalmente ou não, mostrou a sombra como um dos principais arquétipos do inconsciente pessoal que, quando não trabalhada e aceita, incide negativamente na energia psíquica do inconsciente coletivo. A agremiação azul-e-branco do bairro de Noel Rosa fez um desfile contagiante que emocionou com muita criatividade, bom gosto e tradição”.

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4 de março de 2025 0 comentários

Salgueiro

por Marcelo Sampaio 4 de março de 2025

A Acadêmicos do Salgueiro levou para a avenida o enredo “Salgueiro de corpo fechado” do carnavalesco Jorge Silveira que após anos no Carnaval de São Paulo retornou ao Rio de Janeiro.

Desenvolvendo mais um tema afro conseguiu transformar a Marquês de Sapucaí num verdadeiro terreiro com muita ginga e samba no pé.

A vermelho-e-branco teve como destaque principal do seu quinto carro alegórico o campista Nelcimar Pires, consagrado por suas exuberantes fantasias de luxo!

Comentário da Eliane Gentile:

“A Escola Acadêmicos do Salgueiro destacou sua presença na Marquês de Sapucaí conferindo visibilidade à religiosidade como protagonista do enredo ‘Salgueiro de corpo fechado’. O Brasil, com sua miscigenação e pluralidade cultural e religiosa, recebeu forte influência da fé em sua formação e a vermelho-e-branco com maestria e requinte visual em suas fantasias e alegorias abordou o referido mote, evidenciando as práticas religiosas, o sincretismo e a fé como modo de vida do povo brasileiro. O Sambódromo do Rio de Janeiro transmutou-se ao receber a agremiação e virou uma simbólica encruzilhada que trouxe na Ala das Baianas a arruda como amuleto de fé, além da pajelança do Catimbó no quinto carro alegórico que fez menção ao conhecimento das plantas, ervas e folhas sagradas, tendo como imponente destaque, o majestoso Nelcimar Pires. Foi um célebre desfile que mandou maravilhosamente bem a mensagem da importância de nutrir a fé para enfrentar as demandas da vida”.

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4 de março de 2025 0 comentários

Beija-Flor

por Marcelo Sampaio 4 de março de 2025

Com o enredo “Laíla de todos os santos, Laíla de todos os sambas” o carnavalesco João Vitor Araújo conseguiu fazer um desfile para lá de emocionante.

Emoção esta reforçada pela despedida do puxador Neguinho da Beija-Flor que arrebatou a Avenida Marquês de Sapucaí cantando o excelente samba.

A poderosa azul-e-branco de Nilópolis relembrou antigos desfiles emblemáticos e ao mesmo tempo realizou um dos maiores da sua história!

Comentário da Eliane Gentile:

“O Sambódromo do Rio de Janeiro emprestou seu chão para servir de terreiro para o quilombo Beija-Flor e homenagear o carnavalesco e coordenador de Carnaval Laíla, apresentando o enredo ‘Laíla de todos os santos, Laíla de todos os sambas’. A proposta de trazer a história do homenageado como sendo uma entidade a ser evocada e, assim sendo, descer para a pequena África nilopolitana e receber as devidas honras e merecidas homenagens, foi um sucesso! O desfile impactou ao exibir uma performance esplendorosa do início ao fim. A espiritualidade marcou presença na avenida, fazendo jus à vida e trajetória de Laíla que tanto contribuiu para a referida agremiação e para a cultura carnavalesca. O samba-enredo reverberou de forma efusiva e emocionou com um de seus versos, ‘chama João pra matar a saudade’, convidando outra tão importante e necessária figura para receber o reconhecimento pela parceria firmada ao lado de Laíla, o carnavalesco Joãosinho Trinta. A agremiação de Nilópolis arrasou na Sapucaí e encerrou sua participação com chave de ouro, despedindo-se do intérprete que generosa e energicamente emprestou sua inconfundível voz e puxou os sambas-enredo por cinquenta anos, o artista Neguinho da Beija-Flor”.

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4 de março de 2025 0 comentários

Unidos da Tijuca

por Marcelo Sampaio 3 de março de 2025

Com o enredo “Logun-Edé – Santo Menino que velho respeita” o carnavalesco Edson Pereira apresentou um belíssimo conjunto alegórico na avenida.

O samba foi muito bem defendido pelo canto vigoroso do puxador Ito Melodia e pela cadência virtuosa da bateria do mestre Casagrande.

A amarelo ouro-e-azul pavão do Morro do Borel conseguiu fazer um desfile vibrante apesar de ter sido a primeira escola de samba desta noite!

Comentário da Eliane Gentile:

“Com o enredo ‘Logun-Edé – Santo Menino que velho respeita’, a Escola Unidos da Tijuca pisou na Marquês de Sapucaí homenageando o fruto da paixão da linda história de amor entre Oxum, orixá das águas doces e Oxóssi, o aguerrido orixá da caça: o santo menino Logun-Edé, que é retratado em um dos versos do samba-enredo como ‘príncipe nascido desse grande amor, herdeiro da bravura e da beleza’. Foi uma homenagem intensa que trouxe a energia arrebatadora das cores amarelo ouro e azul vibrante, juntamente com o realismo das esculturas gigantes dos carros alegóricos, com movimentos que impressionaram na avenida! A riqueza da narrativa se aperfeiçoou com a presença de seiscentas mudas de plantas naturais em meio às alegorias, evidenciando a intenção de trazer para a avenida uma consciência ecológica, além de fazer alusão à sabedoria presente na natureza. Foi, verdadeiramente, uma reverência à essência da juventude e à força de Logun-Edé, as quais vêm de encontro com as características da juventude do Borel, enaltecendo a força das tradições e riqueza da narrativa da mitologia africana”.

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3 de março de 2025 0 comentários

Mangueira

por Marcelo Sampaio 3 de março de 2025

Em sua estreia na Mangueira o carnavalesco Sidnei França, campeão mais de uma vez no Carnaval de São Paulo, criou um desfile com visual meio opaco.

O enredo “À Flor da terra – No Rio da negritude entre dores e paixões” merecia um desenvolvimento que valorizasse mais a força da sua proposta.

A tradicional e popular verde-e-rosa poderia ter feito uma apresentação que se identificasse realmente com a sua história!

Comentário da Eliane Gentile:

“Apostando no enredo ‘À Flor da Terra, no Rio da Negritude entre Dores e Paixões’, a agremiação verde-e-rosa comprometeu-se em resgatar e evidenciar a história e influência dos povos bantos na construção e formação da identidade da cidade do Rio de Janeiro. O verso ‘O povo banto que floresce nas vielas’ correlaciona-se com o ciclo da existência, revelando que a morte não é o fim, mas a possibilidade de re-existir e resistir à finitude da vida, mantendo vivas as práticas e contribuições sócio-culturais entre os povos da favela e do asfalto cariocas. A Estação Primeira de Mangueira traz uma oportuna homenagem à memória da ancestralidade banto e seu necessário reconhecimento histórico, a despeito do apagamento que a história insiste em manter”.

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3 de março de 2025 0 comentários

Unidos do Viradouro

por Marcelo Sampaio 3 de março de 2025

A Unidos do Viradouro levou para a avenida o enredo “Malunguinho – O mensageiro dos três mundos” do carnavalesco Tarcísio Zanon que estudou no IFF de Campos.

O samba já pungente cresceu mais ainda na voz do genial Wander Pires e com a bateria do mestre Ciça que mostrou uma sensacional variedade rítmica.

A vermelho-e-branco de Niterói apresentou uma comissão de frente com visual, coreografia e efeitos especiais extremamente impactantes!

Comentário da Eliane Gentile:

“Com o enredo ‘Malunguinho: O Mensageiro dos Três Mundos’, a Viradouro resolveu homenagear Malunguinho, importante entidade afro-indígena líder quilombola de Pernambuco e cultuado no imaginário popular. Em um de seus versos, o samba-enredo menciona ‘a chave do cativeiro’, aludindo à libertação dos oprimidos a partir da Jurema, que é a sabedoria da natureza. O elemento fogo esteve presente do início ao fim do desfile, através das cores vermelho e amarelo, simbolizando forte significado espiritual de energia, purificação e ressignificação. A referida agremiação aposta na importância de manter viva a chama do passado e também na necessidade de buscar conexão com as raízes ancestrais, a fim de não deixar sucumbir a tradição e identidade de um povo”.

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3 de março de 2025 0 comentários
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