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Oitava Coluna da Eliane Gentile

por Marcelo Sampaio 27 de abril de 2025
27 de abril de 2025
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Dia nacional da música que en(canta) a alma sonora do Brasil

Quiçá poucos saibam que em 23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, esse que é um dos estilos musicais mais profusos e emblemáticos da música popular brasileira. No contexto desse rico universo musical, o nome apontado como um dos principais responsáveis pela consolidação do referido gênero é o do multitalentoso Pixinguinha. O maestro, compositor, arranjador, flautista e saxofonista Alfredo da Rocha Vianna Filho, ou simplesmente Pixinguinha, é considerado um dos maiores representantes do choro porque além de grande compositor, ajudou na consolidação do gênero, popularizando e tornando-o uma parte essencial da identidade cultural brasileira. O choro une influências europeias e africanas e emergiu das rodas de improviso dos músicos que tocavam em bares, praças e salões da cidade do Rio de Janeiro, lá pelos idos do fim do século XIX e início do século XX, sendo reconhecido por seu ritmo sincopado e complexidade melódica capaz de transmitir e evocar emoções profundas através da virtuosidade de todo o conjunto da obra. Outros nomes de destaque e bastante fundamentais para elevar o choro a um patamar de respeito foram os de Joaquim Callado, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e Donga, os quais também contribuíram para a consolidação e difusão desse estilo. Noel Rosa, embora tenha focado seu trabalho predominantemente no samba, também explorou o estilo choro em muitas de suas obras. Atualmente, o choro resiste pulsante graças a grupos e músicos dedicados a preservar essa herança cultural com respeito e seriedade. Para quem é apaixonado pelo ritmo envolvente do choro, reuni algumas sugestões incríveis para extrair o supra sumo dessa vertente musical tão agradável e que se mantém vibrante no Rio de Janeiro. Toda terça-feira o Choro Batucada apresenta-se no palco do Glorioso Cultural, no Catete. Às quintas-feiras, o Choro da Glória apresenta-se no Espaço Cultural Paulão Sete Cordas, na Glória. Além desses, outros espaços afins como o Semente, no Centro da cidade e eventos como o Festival do Choro, promovido por instituições culturais, ajudam a fomentar e manter essa tradição viva e acessível a todos. Além dos nomes pioneiros já mencionados, há uma série de artistas contemporâneos que continuam elevando o gênero a um nível supremo. Entre eles, destacam-se nomes como Yamandú Costa, que mistura o choro com violão de forma magistral; André Mehmari, que atribui ao estilo um toque de respeito com requintes de inovação; e Hamilton de Holanda, que merece destaque por suas interpretações sensíveis e virtuosas, além de ser um importante divulgador e um dos fundadores da primeira Escola de Choro no mundo. Eu descobri também que foi por intermédio dele que o choro ganhou uma data comemorativa a partir de 23 de abril de 2000, já que o músico idealizou a petição ao Congresso Nacional para conceder ao choro um dia oficial em âmbito nacional. O Dia Nacional do Choro é mais que uma data a ser comemorada. Trata-se de uma oportunidade de valorizar e fomentar essa tradição cultural de inegável brio e que merece cada vez mais ser multiplicada e reconhecida pelo nosso Brasil afora, sobretudo pela significância cultural e histórica advinda do reconhecimento do choro como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, concedido em 29 de fevereiro de 2024 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, destacando assim a importância do referido gênero musical na diversidade cultural brasileira.

Nota da Semana

O Festival de Cinema Europeu Imovision já começou desde o dia 24 e segue até o próximo dia 30 de abril com a exibição de uma curadoria exclusiva de filmes inéditos e premiados, de oito países europeus. Vale a pena conferir e se emocionar através das telonas!

“Fantasias Textuais”

“Junto meu canto

a cada pranto

a cada choro

até que alguém me faça coro

pra cantar na rua”. Trecho da canção “Um chorinho”, de Chico Buarque, 1967.

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